quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Eduba Mesopotâmica



Acordo cansada
Triste acabada
Mas, mesmo assim me levanto
Num pranto

Gritaria pra todo lado
Papai grita: estou atrasado!
Mamãe grita: pare com esse choro atordoado!

Então tá:
Na escola vou ficar
Estudar, decorar
Tudo igual
Desconfortável
Nossa, quantos clones! Uau!

Vamos, começou!
Professora pede, a gente repete.
Quem erra se borra.
Lavem a palmatória.

3x2=6 3x1=3
De repente vem uma vontade...
Preciso ir ao banheiro.
Mas, se a professora souber,
Me bate.

Chegou o intervalo
Vou comer
E como uma estrela cadente
O tempo passa a correr

Logo vamos para a sala
Cada cadeira em sua ala
Agora é só estudar,
Aprender, decorar.

Até que enfim
A tarde passou
Vamos para o quarto
Comer doces sem fim

Mas chega a senhora, apaga a luz e fala: não façam hora!
Então é agora!
Fecho os olhos,
Mas a dor não vai embora.

A dor me aflige.
Penso: fecha os olhos e finge.
Mas não dá
A dor em mim está a aflorar

A dor da saudade
Da humilhação

Quero fugir da escola
Fugir do meu coração
Quero viver a infância
Quero respeito
Quero meus direitos!


Texto: Júlia Pereira Vargas.
Imagem: Filme "The Wall", do Pink Floyd.

5 comentários:

Projeto Eutanásia disse...

Bem vinda, Júlia!
As páginas negras do Projeto estão de portas (e janelas) abertas para você. Você é muito talentosa. Continue viajando alto nas trilhas da poesia.

Beijos, alegrias e poesias,

Daniel Rubens Prado.

Deoti disse...

Yeahhhhhh! Na mosca o que nossa geração passou na infância!
Ótimo!

Marcella disse...

Parabéns a Júlia pela poesia, sabe usar muito bem as palavras, a danadinha! siga em frente na aventura pelas letras!
um beijo

Guto Respi disse...

Menina Júlia,
Adorei!! Mesmo!!

Anônimo disse...

Poetas vão sendo atraídos, instintivamente, para o silêncio gritante das negras páginas do Eutanásia.
Vivas à Júlia,

Beto Moreira.