domingo, 13 de dezembro de 2009

Rastro


Da alma
vem a música para ser sentida.
A magia deixa o rastro.
Solta cores, solta risos.
No frescor da noite,
vivem a saltar e cantarolar.
Com a dança brilha a lua,
vibra a vida, sorri as flores.
Sons psicodélicos
buscam anárquicos ouvidos.


Poesia: Diane Mazzoni.
Imagem: Bruno Grossi.

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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O LIMITE

Eis que surge o limite
O limite da vida
A agonia da alma
O segundo ínfimo
Da dor do passado
O momento retrátil
Do último suspiro
O alcance fugaz
No caminhar enfraquecido
O corpo molhado
De esforço e ingratidão
Os olhos inválidos
O coração vital
O sangue vívido
De um ato vital.

Texto e imagem: Bruno Grossi.

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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Essa vida não me quis


Dançarina
queria palco sempre quis
roupa de brilho coque
fru-fru e rosa
choque
Sapatilha entregou os pés
aos salto
saltos estreitos
que a trancos e barrancos
se equilibram sobre
paralelepípedos, buracos
vazios que me lotam a alma
desespero
sobressalto

Palco mesmo é rua de poste
com sorte um afago
gratuito. Carona sem cobrança
ou desconto no preço final
talvez lembrança de vida
sonhada
que não o inverso
que não a morte

Dançarina que não fui
Pari filho sem pai
foi ballet desesperado
em noite sem gala
beco num pulo vira maca e
sem treino obra de quem?
aconteceu João
mirrado magro pequeno

O filho hoje vai bem
obrigada
dança funk na quadra
Do Morro
lava minhas roupas
me toma nos braços
me compra música bonita
me devolve um pouco
daquilo que em mim é sonho
um pouco de mim
parte tomada

E as manhãs
todas
vem João pés descalços
senta ao chão de cimento queimado
pede dança
antecipa palmas
e bis e olhos vidrados

Eu bailarina exata
boto a velha sapatilha
apertada
mando-lhe beijo no ar tomo fôlego ergo a cara
e sou só entrega
ao filho legitimo da puta
(que me olha que me devora)
e desejo sorte vida leve
amor de gente pluma

João nem sabe
ao menos por palavra concreta
mas é ele, só ele o
único homem que me viu chorar.


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terça-feira, 13 de outubro de 2009

CONVITE DE PRIMAVERA


Dia desses ou daqueles,
Depois que o sol se cansar,
Depois de secar o suor da labuta,
Após a sonâmbula jornada cumprida,
Acho que podemos, quiçá devemos.

Rendemo-nos a longos e sonoros suspiros,
Que sem aviso, cúmplices, se transformam
Em sorrisos de alívio.

Deixemos de lado o horário útil
Deste dia inútil e suas fadigas,
Para semearmos na noite
Gozo e emoção.

Sem pressa...

Despojados acrobatas
Num embalo amoroso e rítmico,
Cheio de piruetas e saltos e...
Mãos dadas.

Num só tempo,
Sob os poderes primaveris,
Esquecemos o passado carregado
E o futuro incerto,
Entreguemo-nos presentes ao encanto imponderável
De um mundo possível de todas as flores.
E frutos.

De um mundo inocentemente erótico,
Vagarosamente trágico,
Além de mim, de nós,
De toda poesia criada,
Além dos ventos que trazem o diz-que-diz-que,
E promovem tantas incertezas, tantos desencontros.

Seremos, enfim, neste momento,
Apenas dois seres impermeáveis,
Permanentes na mais honesta estação:
A do desejo de amar sem culpa.
Daniel Rubens Prado,
Primavera de 2009.

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domingo, 27 de setembro de 2009

As paredes da minha casa

As paredes da minha casa são brancas
São incrivelmente brancas pintadas de cal.
Cal virgem; queimado com água,
E pintado com brocha.

Duas paineiras imponentes e belas
Dão cor e vida à minha casa.
No verão, verde e sombra.
No outono, duas sentinelas.
No inverno, flocos de paina.
Na primavera?
Ah! Na primavera, as paineiras
E as paredes brancas da minha casa
Tornam-se rosas.


Poesia: Carlos Niquini.
Imagens:
Sandra Nunes.

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TUDO É JAZZ 2009