
Os quadros já não estavam mais dependurados. Os móveis já se encontravam vazios. As plantas prontas para embelezar um novo ambiente. A brisa gelada indicava o início de um inverno destemperado. Mas estávamos sorridentes. E o mais importante, entre amigos!
Muitas vezes recusamos a entender certos acontecimentos. Tentamos lidar com o menor amargor possível. Damos a cara à tapa para os fatos, tentando enfrentá-los como bárbaros guerreiros. Mas hoje, nada se resolve na ponta da espada.
A vida é provida de mel e de muitos ferrões. A dor é constante, assim como o prazer de viver. Inconscientes, seguimos nossos princípios, herdados de quem nos criou e nos concedeu amor. E é vivendo a vida com coragem que vencemos barreiras.
Ah, quanta boemia naquela varanda... Quanta poesia, amor e alegria plantados em inúmeras pessoas. Quantos corações dilacerados e também reencontrados, quantos flertes, quantas confissões e lágrimas foram derramadas por ali. Que a futura família consiga semear um pouco desta riqueza, desta doçura, desta história.
Não restam dúvidas que a pureza destes momentos servirá de lição. E como toda e boa dedicada nação, de maneira alguma, isso terminaria em vão. Afinal de contas, P4* não era uma armação, sempre foi praticado e seguido como uma religião.
O P4 termina, mas não acaba. Aliás, nunca acabará! Estará guardado para sempre, em vários amores, infinitas amizades, inúmeras famílias.
E, quem sabe, renascerá em outro andar?
Texto: Leonardo Deoti, em 02 de maio de 2008.
Imagens: Daniel Rubens Prado.
* P4 foi um lar para muitos. Um apartamento no colo da Serra em que vários amigos de eutanásia beberam, sorriram e choraram. Viveram bons momentos, sabendo que felicidade, quando é boa, é partilhada.


