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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Clichê or not clichê


Um emaranhado de pequenos fracassos que triunfam em cima da sua esperança de amor.
Você escreve os melhores versos sofrendo as maiores desilusões. Você separa a garrafa de vinho, o papel em branco, derrama algumas lágrimas para compor o cenário e verte as palavras certeiras, a agonia presa no seu coração combalido. Os amores perdidos te ajudam a abrir os olhos pelas manhãs porque te lembram que uma nova linha pode ser escrita. Todas as paixões destruídas te fazem sentar naquele mesmo bar, pedir aquela mesma cerveja, naquele mesmo copo - e lembrar daqueles tantos colos, belchior - e rabiscar no guardanapo o poema que faltava. Todos os sonhos escurecidos pela madrugada solitária nos fazem companhia diante das teclas furiosas que ensaiam uma nova página. O duro golpe do desamor é o que nos move, o que nos faz pisar na esperança para depois vê-la ressurgir numa esquina do centro, num pastel de rua, numa marca de batom. Tantas pancadas do amor que, quando ele nos afaga, perdemos os versos, não sabemos mais que palavra usar. Tantas rasteiras da incerteza, tanta falta de coragem, que a inspiração vem da tentativa de capturar esse outro que nos escapa a todo o tempo. Tanto poderia ter sido, que a porrada de ser bate tão forte que nos derruba. E do chão jorra a palavra.
E o que eu queria dizer - e nem sei se disse - é que é mais difícil falar de amor amando.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Carta ao que poderia ter sido


Ah, as cartas de amor, essas ridículas...



Faltou você entender que vez ou outra é preciso deixar o coração parar, pra poder bater de novo. Se faz amor sem final feliz o tempo todo, eu sei. Pela janela, a realidade entra junto com o que parecia ser o sol. E não era. Só que no meio dessa lucidez tem você. Tem você, o tempo todo. Sua ausência é, de todas, a presença mais permanente. A cada silêncio seu eu grito, até que minha voz se iguale à sua, e a gente volte a viver de um jeito novo, possível. Não importa se a vida doeu mais do que a gente podia levar. Não importa se eu não soube lidar com a sua inabilidade diante de mim, ou mesmo se você não se encontrou no meu olhar. Eu te achei e vou seguir te descobrindo, ainda que a uma distância segura do perigo que é amar. Entre o amor e o desamor existem todas as frases não ditas. O som abafado da vida, a cama que se cala quando os olhos abrem, as palavras que soam melhor escritas. A paixão é sempre essa pequena morte, que faz o que já era imenso parecer assustadoramente maior. A gente ainda vai morrer tanto, e tantas outras vezes, que você vai aprender. E vai lembrar de mim. Só faço uma exigência: não me pede para esquecer. Porque eu não esqueço. Toco a vida em frente, volto a sorrir, paro de evitar aquelas canções e compartilho a mesa contigo, sem desviar o olhar. Mas não esqueço. Busco abrigo em cada memória, porque foi assim que aprendi a me reconhecer e a entender que amar fica mais difícil se tivermos que apagar cada marca gravada na gente. Talvez seja só minha dificuldade em deixar tudo pra trás. Talvez seja a vontade de que você, só você, não passe. Ou talvez seja egoísmo mesmo. Tatuar pra dentro, já que no mundo esses amores não cabem mais. Eu não conseguiria aprender de novo o caminho do outro, sem o que me fez amante. O que me fez amor. Intensidade é medida de coração. E desse, por mais que tirem pedaços, não me livro nunca.