segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Praia Bahiana


Enchi meus olhos de sal e sol
Meu colírio é água do mar ensolarada
Gozei na areia meu êxtase de Brahma
Quando pari um filho rouco e espontâneo

Espontânea noite que desarma os consensos
Por mais que olhasse na terra os olhos salgados se voltavam ao céu
E ali eram muitas mais, estrelas, sois.

Então me sento esperando uma cadência decidir
Servir-me com uma flor simplesmente encantadora

Nunca fui tão índio, quando os outros se tornam assombrações nas sombras
E o cheiro que emana não paralisava nenhum olho na paisagem

Irmão, meu! Caralho! O bob Marley louvando é um barato!

Imagem: Queda d'água do Tororão,

terça-feira, 7 de outubro de 2008


Caros leitores e colaboradores do Projeto Eutanásia,

Foram abertas as inscrições para a 1ª Edição do Prêmio de Literatura Universidade FUMEC. O gênero escolhido para o lançamento do prêmio é o conto. Podem participar alunos regularmente matriculados em escolas de ensino médio e superior de todo país.

As inscrições para o prêmio são gratuitas e devem ser feitas até o dia 18 de outubro exclusivamente via postal, por sedex ou carta registrada, com aviso de recebimento. O candidato deve enviar seu conto para a Reitoria da Universidade FUMEC (Av. Afonso Pena, 3880, 4º andar, Cruzeiro, Belo Horizonte, MG/ CEP 30130-009) juntamente com a ficha de inscrição, que pode ser acessada no site http://www.fumec.br/.
O regulamento também pode ser consultado no endereço eletrônico.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Adeus!


Não durmo. Permaneço infame em seu precoce adeus. Continuo com seus braços. Em seus abraços. Seus lábios, em leves movimentos, pairam firmes no pensamento. E já não há lamentos. São saudades, tormento e falta. Folia ébria de quem não quer deixar o que já foi e será. È resistência ao desamor.

Você sobe as escadas, procura a chave. A porta entreaberta. O amor, curioso e gentil, espera...

É de manhã. O domingo nasce entre a favela, a serra e a cidade. Faz frio e o cobertor não me aceita. O cigarro é aceso entre goles de vodka e letras de poesia que doem os olhos e o cotovelo.

É primavera! Mas meu peito inverna em melodias tristes.
Imagem: Underwater Rose.
Por Freg.

sábado, 27 de setembro de 2008

FALA


O fluxo do ouvido está travado,
Não ouço, mas escuto o que eu falo.
Vejo o que não posso.
O que se preza,
Não mata, não dorme, desespera.
O gosto do silêncio está fechado,
O grito do sufoco está calado.
Calmo, vivo, não enxerga.
Já não come, não engole,
Espera.

O homem que não pensa está ferrado.
Ferrado pelo corpo,
Pelo ato.
Não pensa, descansa,
Não se cala.

Como mero semelhante,
Não entala.
O olho do umbigo já não fecha,
A boca do sussurro já não fala.
Versos: Bruno Grossi.
Imagem: A Cidade
Acrílica e Carvão sobre cartão
60cm x 40cm
2008

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Do outro lado do muro


Domingo. O sol iluminava os cabelos dourados do menino. O menino iluminava os olhos do poeta e os enchia de esperança. Entre os dois, uma bola. A bola nos pés do menino, a bola nos pés do poeta.

Tentou um drible, mais um, até jogá-la para o outro lado do muro. Teve medo de perder mais uma bola. Teve medo de trocar a alegria de domingo pelo choro. Mas, antes que o menino derramasse a primeira gota salgada, o poeta lembrou-se de que um dia foi menino. Menino que não sonhava em ser poeta, mas já vivia de poesia - estado de graça.

Tirou o relógio do pulso, sorriu, moleque peralta, puxou um bocado de ar e pulou o muro como nos tempos idos.

Dois arranhões no braço, dos cacos de vidro do muro e da distância que o separava da meninice. E, mais, o dourado de todas as infâncias sorrindo na cara do menino.

A bola nos pés do menino, a bola nos pés do poeta.

Domingo salvo.
Imagem: Bruno Correia.